Tendenciosos: Raquel Medeiros – Tecnologia, Sustentabilidade e Adequação da Moda

 

Quando pensamos em Moda, imediatamente, a imagem de alta costura, vestidos feitos a mão por grandes costureiros de Paris surgem em nossas memórias. Porém, a tecnologia está sempre em harmonia com os avanços e tendências da moda.

Além da modernidade e tecidos, cortes e descoberta de novos materiais, há um crescente no pensamento mundial sobre a importância de aliar a moda com a sustentabilidade e o uso consciente da roupa.

A tendenciosa que nos ajuda a pensar sobre as roupas do futuro é Raquel Medeiros. Com graduação em Design de Moda na Universidade Federal do Ceará, ela ainda possui Mestrado em Têxtil e Moda na Universidade de São Paulo-USP, Raquel idealizou um projeto com cheiro de limão e doce, feito limonada.

Há 11 anos, Raquel trabalha com coordenação de produto de moda, planejamento de coleções, styling e marketing de moda em empresas de moda. Há 5 anos é professora e já ensinou na Faculdade Católica do Ceará, na Estácio, na Universidade de Fortaleza-UNIFOR e na Travessa da Imagem. Transformou essa trajetória em uma semente, as primeiras flores nasceram e vimos, de repente, brotar a LIMONAR.

Raquel conversou com a equipe do portal do Partage Shoppinhg Mossoró sobre o futuro e como o que parece estar tão distante já é presente em nosso cotidiano.

 

1 – Primeiramente, a moda muda o mundo ou mundo muda a moda?

Que pergunta envolvente (risos). Primeiro o mundo mudou e a moda também. A moda acompanha o mundo, pois ela vai trazer algo que o mundo já tem. Além disso, ela também, influencia essa construção em um processo de retroalimentação entre o mundo e a moda. Normalmente ela capta o que há na sociedade, pois se não há no mundo, não há consumo e a moda é economia também. A moda sempre virá de um movimento mundano.

 

2 – Hoje em dia se fala muito em moda e tecnologia, em estudos de tecidos modernos e novos cortes. Esse tipo de roupa já é usual? 

Eu vejo isso em um movimento futuro, muita gente fala disso como algo que já é concreto. Existe a pesquisa, e já existem marcas que trabalham nesses tecidos tecnológicos, revoluções que eu tive o acesso no mestrado. Mas como isso vai haver um custo, e ainda estamos falando em um período onde ainda se fala muito em preço baixo, por isso antes de pensar na tecnologia deve se pensar uma moda com proposito. Quando o consumidor entender o projeto de uma moda com sentido, e isso pode junto com a tecnologia, mas devemos pensar, principalmente, na durabilidade e na estética da roupa, além do preço.

 

3 – Hoje em dia se fala muito em moda sustentável, e um uso consciente da roupa, o que isso significa?

Estamos falando de futuro nesse caso. Muitos autores pensam em moda com propósito, e muitos teóricos pensam na teoria com prática. Já existem muitas marcas e que pensam no uso melhor da roupa, de valorizar a peça, de um slow fashion que já se ver presentes nos shopping centers. Eu visualizo as duas coisas, pensar uma moda mas também pensar no consumo disso, sou favor de ver a moda com consciência mas também não imaginar um movimento errado econômico da moda.

 

4 – Novos termos estão surgindo como “agênero”, quais dicas você daria as pessoas que se interessam por essa apropriação das roupas independente do gênero?

Muita gente confundi “agênero” com sexualidade, a moda com esse viés vem para o todo, independente da sexualidade. As pessoas antes de roupa, elas têm o direito de ser quem ela quiser. Socialmente nós tivemos uma mudança da moda, onde os homens usaram saltos, as mulheres de cabelo curto. Mas em algum momento foi decidido o que é roupa de mulher e de homem, como se não existisse uma série de outros pontos na moda. A roupa deve ser determinada pela estética, e não pelo o que dizem o que você deve usar. Hoje em dia já se pode pensar em uma mulher usar uma roupa dita masculina, mas o que devemos analisar são os padrões de modelagem pois o corpo feminino é diferente do corpo masculino, não basta comprar roupa deve pensar no modo como essa peça tem o caimento em seu corpo. Mas uma palavra na verdade que a moda “agênero” representa é a democracia, a liberdade de de usar roupa.

 

5 – Uma pergunta padrão, a todos os tendenciosos, qual a peça “must have” em qualquer guarda-roupa?

Eu não acredito em uma ditadura, eu acredito no que eu sou. Isso não me faz pensar no que as pessoas querem que eu seja, mas no que eu realmente acho que devo usar para a estética de como eu me visto. E partir do que eu tenho eu saber, inteligentemente, o modo como eu vou combinar as peças que eu tenho e assim criar o meu próprio estilo. E o “must have” é o que existe é adequar a oferta de roupas a seu estilo, e ao ambiente e sociedade onde você está. Claro que peças neutras são importantes, que combinem com todos os momentos, mas eu não acredito na moda como algo apenas belo e lindo. A moda é um negócio e você perceber o que está na sociedade e o que está nas vitrines e adaptar ao seu gosto com um senso estético apurado é criar o seu “must have” próprio.

 

6 – As tendências da moda mudam com o passar das estações. Porém, o que fica no guarda roupa não se vai com as estações. Como adequar o que foi “moda” com o que está sendo agora?

A continuidade não é mais por estações, a tendência ela não é mais micro, ela agora é mundial. Eu devo pensar no todo e encontrar nas marcas algo que converse com as pessoas. A tendência “não é”, a tendência ela “pode ser”. Então na hora que eu digo que estou na vitrine pode se adequar ao meu corpo, e ao meu gosto eu estou junto com os tendenciosos. Hoje em dia as coleções são mais duradouras, nada muda completamente apenas alguns detalhes que vão se adaptando. Por exemplo, quando você pensa em mulheres se impondo, isso reflete em ombros em evidencia, busto em evidência, e essa imposição da mulher não vai passar daqui a 6 meses, mas sim se adaptar ao novo detalhe.

 

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